INSPIRAÇÃO PERDIDA
Calei-me diante da folha em branco,
como se o mundo tivesse parado.
O verso fugiu do meu pranto,
e o silêncio ficou apertado.
As palavras — antes tão minhas —
se perderam na curva do tempo.
Sumiram nas sombras sozinhas,
sem rastro, sem cor, sem alento.
A musa partiu sem aviso,
levando o brilho do olhar.
E eu, sem norte ou sorriso,
não soube mais como rimar.
Busquei nas manhãs e nas noites,
em cartas, retratos, lembranças.
Mas tudo virou açoites,
e as rimas, apenas esperanças.
Porém, num sopro discreto de vento,
veio um cheiro de flor renascida.
E entendi, no mais puro momento:
não morre quem perde a partida.
A inspiração se esconde, é verdade,
mas volta com novo sabor.
Pois vive, em sua eternidade,
em quem escreve com dor… e com amor...
Antonia Nery Vanti (Vyrena)
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Enviado por Antonia NeryVanti (Vyrena) em 05/08/2026